SEJA DIZIMISTA

Na Bíblia Ave Maria a palavra Dízimo aparece 48 vezes nos seguintes livros:

Velho Testamento: Gênesis, Levítico, Números, Deuteronômio, 1 Samuel, 2 Crônicas, Neemias, Tobias, 1 Macabeus, Eclesiástico, Jeremias, Amós e Malaquias

Novo Testamento: Evangelho de São Mateus, Evangelho de São Lucas e Carta aos Hebreus

       Além destes, muitas outras passagens em diferentes livros também tratam do assunto dízimo sem mencionar exatamente esta palavra. Isso apenas enfatiza a importância deste tema que as vezes é um paradigma para todos nós católicos.

Para conhecermos um pouco mais da história do Dízimo na Bília podemos dividir o tema em 5 partes:

1

A Origem: Abraão

“E Abrão deu a Melquisedeque a décima parte de tudo.” Genesis 14, 20. Versão Pastoral

“E esta pedra que ergui como coluna sagrada será uma casa de Deus, e eu te darei o dízimo de tudo o que me deres.” Genesis 28, 22. Versão Pastoral

Abraão, o patriarca do povo de Deus, decidiu que como agradecimento eterno a Deus por tudo o que o que Ele é e fez, sempre daria a décima parte de tudo o que viesse a conquistar, com a certeza que estaria apenas retornando a Deus o que Ele mesmo o havia dado.

2

A Ordem: Moisés

“Todos os dízimos da terra, da semente da terra, do fruto da árvore, pertencem a Javé; são coisas consagradas a Javé. Os dízimos do rebanho bovino ou ovino, isto é, a décima parte de tudo o que passa sob o cajado do pastor, é coisa consagrada a Javé.” Levítico 27, 30.32. Versão Pastoral

 

Moisés para educar o povo a sempre colocar Deus no centro de todas as coisas e também a viver em comunidade decretou a Lei do Dízimo, exigindo que a décima parte de tudo o que uma pessoa viesse a adquirir deveria ser consagrada e entregue a Deus.

3

A Razão: Moisés e Aarão

“O Senhor disse a Aarão: – Aos filhos de Levi dou como herança todos os dízimos recolhidos em Israel, pelos serviços que prestam na Tenda do Encontro. É estatuto eterno para seus descendentes. – E disse aos levitas: – Quando vocês receberem dos filhos de Israel os dízimos que lhes dou como propriedade, ofereçam como oblação a Javé o dízimo dos dízimos.” Números 18, 21.23.26. Versão Pastoral

Moisés e Aarão explicam e motivam a necessidade de se entregar a décima parte de tudo o que possuía a obra de Deus, no tempo que todas as tribos tinham funções específicas como serviço militar, lavoura e criação de animais para o sustento físico e material de toda a comunidade, os Levitas eram a tribo designada unicamente aos serviços do Templo e das orações, cuidando assim do sustento espiritual de toda a comunidade, e para tal precisava ser sustentada pelas demais tribos que colhiam os frutos de seus serviços graças a intercessão dos Levitas. Assim se construía a comunidade que perdura até os dias de hoje. 

 

4

A Confirmação: Jesus

“Jesus estava sentado em frente do cofre das ofertas e observava como a multidão punha dinheiro no cofre. Muitos ricos depositavam muito.

Chegou então uma pobre viúva e deu duas moedinhas.

Jesus chamou os discípulos e disse: “Em verdade vos digo: esta viúva pobre deu mais do que todos os outros que depositaram no cofre.

Pois todos eles deram do que tinham de sobra, ao passo que ela, da sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha para viver”. Marcos 12, 41-44. CNBB

”Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixais de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como o direito, a misericórdia e a fidelidade. Isto é que deveríeis praticar, sem negligenciar aquilo”. Mateus 23, 23 / Lucas 11, 42. CNBB

“Ninguém pode servir a dois senhores: ou vai odiar o primeiro e amar o outros, ou aderir ao primeiro e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro! ”. Mateus 6, 24. CNBB

“Jesus respondeu: – Se queres ser perfeito, vá, vende teus bens, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem, e segue-me. – Quando ouviu essa palavra, o jovem foi embora cheio de tristeza, pois possuía muitos bens. E Jesus completou: – É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino dos Céus”. Mateus 19, 21-22.24. CNBB

É importante destacar aqui que em nenhum momento Jesus exclui a Lei (“isto é o que deveríeis praticar, sem negligenciar aquilo”), mas sim a esclarece e complementa. O fato é que não devemos nos sabotar achando que o cumprimento de uma ordem de Deus nos permite negligenciar outra, como discípulos devemos cumprir com tudo que Jesus mandou.

 

5

A Consolidação: Paulo

”Todo o primeiro dia da semana, cada qual separe livremente o que tenha conseguido economizar, de modo que não se espere a minha chegada para então recolher os donativos. ” I Corintios 16, 2. CNBB

 

“Dê cada um conforme o impulso de seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Pois Deus ama quem dá com alegria” II Cor 9,7. CNBB

 

Paulo sempre com muito carinho, nos coloca a importância da periodicidade, para que os planos de evangelização não sejam impactados. E conclui que tudo que for feito para Deus deve ser feito com alegria.

O ato de doar o dízimo, que no Antigo Testamento era tido como “lei”, e que como tal, possuía regras, no Novo Testamento, à luz dos ensinamentos de Jesus, ganha nova conotação e passa a significar, não uma lei, mas um ato de fé e de agradecimento pelas bênçãos que todos os dias recebemos de Deus.

O que o Catecismo diz quando cita o quinto Mandamento da Igreja é: “Os fiéis cristãos têm ainda a obrigação de atender, cada um segundo as suas capacidades, às necessidades materiais da Igreja”. O Código de Direito Canônico (Cânon 222 § 1) prevê: “Os fiéis têm obrigação de socorrer às necessidades da Igreja, a fim de que ela possa dispor do que é necessário para o culto divino, para as obras de apostolado e de caridade e para o honesto sustento dos ministros.”.

Com isso, pode-se responder a uma pergunta muito frequente quando falamos sobre Dízimo:

“Com qual quantia eu devo contribuir? ”

Ora, uma vez que dízimo significa décima parte, seria exatamente esse o sugerido para contribuição, pois com isso você teria a oportunidade de vivenciar as mesmas experiências do amor de Deus que os primeiros cristãos, como Abraão, Moisés e tantos outros vivenciaram. Entretanto, Deus conhece o coração duro do homem e através da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios disse que deveríamos “dar cada um conforme o impulso de seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Pois Deus ama quem dá com alegria” II Cor 9,7.

Por isso, o mais importante, hoje, é abrir-se para glória de Deus em sua vida e se tornar um dizimista, não estipulando limites mínimos ou máximos, podendo por exemplo iniciar com 1%, depois 2%, depois 5%, depois 10% e quem sabe depois 20% ou 50% “conforme o impulso do seu coração” e também sempre atento “em socorrer às necessidades da Igreja” para que o trabalho de evangelização perdure e aumente dia após dia.

As três dimensões do dízimo

Dimensão religiosa: o dízimo deve suprir com recursos todas as necessidades direta ou indiretamente ligadas ao culto e aos seus ministros. Gastos com o templo (construção e manutenção), salário do padre e dos funcionários, encargos, energia elétrica, água, telefone, impressos, paramentos litúrgicos, velas, vinho, hóstias, equipamentos de som, audiovisuais e etc.

Dimensão social: neste aspecto, o dízimo deve suprir as necessidades dos irmãos mais necessitados da comunidade atendidos pelas pastorais sociais. Também é importante que esse trabalho supere o mero assistencialismo e busque a promoção do ser humano, a conscientização dos direitos e deveres de todos, sem deixar de exercer a misericórdia, a justiça e a compaixão, em vista de resgatar a dignidade dos irmãos assistidos. Para isso, não existem limites. Santo Tomás, com grande inteligência e fidelidade ao Evangelho, diz: Não se devem esperar leis para fazer o bem. Existem, de fato, a lei natural e a lei eclesiástica; mas a lei da caridade deve brotar disto que está no Evangelho: Jesus, rico que era, fez-se pobre para nos enriquecer a todos. Do mesmo modo, devemos seguir essa “imitatio Christi – imitação de Cristo” e socorrer os mais necessitados”, conclui.

Dimensão missionária: o dízimo deve sustentar financeiramente as ações de evangelização da comunidade exercidas fora do território da paróquia. Ajuda à Cúria, ao Seminário e às missões de um modo geral.

A entrega do dízimo normalmente é mensal, porque a maioria das pessoas recebe salário todo mês. Já os que recebem semanalmente, por exemplo, podem combinar de entregá-lo uma vez por semana. O importante é saber que o dízimo deve ser entregue na comunidade com a mesma regularidade com que se recebem os ganhos regulares. Já as ofertas são doações espontâneas, com as quais o fiel também pode e deve participar da vida em comunidade, mas nesse caso não existe a regularidade como no caso do dízimo. Você pode e deve doar na hora do ofertório, durante as missas, ou fazer depósitos nas caixas de coleta.

Um dos sinais mais evidentes de que estamos vivendo uma vida nova em Jesus é quando essa decisão chega a ponto de afetar as nossas escolhas financeiras. Quando a luz de Cristo ilumina a nossa vida é preciso que chegue a todo nosso ser, inclusive ao bolso. A Palavra de Deus nos diz em Atos dos Apóstolos 2, 44 “Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum”, mostrando que um dos frutos do Pentecostes pessoal é exatamente o desapego, a generosidade e a capacidade de partilhar.

Muitos seguidores de Jesus que possuem uma alegria interna são aqueles que cultivam o hábito do dízimo e ofertas. A ideia de encontrar a vida feliz por meio do dízimo e ofertas não é nova. Tal dádiva divina foi assegurada àqueles que observam este costume nos tempos do Antigo Testamento. “Ponham-me à prova e verão que eu abrirei as janelas do céu e farei cair sobre vocês as mais ricas bênçãos” (Ml 3,10). Esta passagem de Malaquias tem sido muitas vezes interpretada como indicando que as recompensas serão de natureza material. Os dizimistas frequentemente testemunham que graças materiais acompanham um reconhecimento regular da bondade de Deus, por intermédio do dízimo. Mas os resultados descritos em Malaquias não estão confinados a recompensas materiais somente. A retribuição do dízimo sob a forma de bênçãos espirituais reflete-se em vidas transformadas. O quadro do Antigo Testamento é uma preparação daquilo que se transformou na experiência de cristãos em todos os tempos; que encontraram no dízimo e ofertas uma porta aberta para a vida abundante e vitoriosa.

Três bênçãos espirituais são experimentadas pelos dizimistas e ofertantes fiéis, trazendo vida abençoada e abundante:

Em primeiro lugar, o dízimo e as ofertas contribuem para a felicidade daqueles que obedecem a Bíblia nesta questão. Este princípio pode ser alargado a fim de incluir a ideia de que toda a generosa divisão de riqueza resulta em felicidade para aquele que contribui. O dinheiro dividido transforma-se numa fonte de alegria permanente. Esta lei é básica para vida. O dízimo, as ofertas ou a generosa divisão dos bens materiais traz a felicidade.

Em segundo lugar, o dízimo e as ofertas contribuem para a saúde física. Como? Não meramente por eventos que podem ser descritos como milagres divinos, mas, também, eliminando as numerosas e óbvias tensões originadas pelo dinheiro ou pela falta dele, trazendo ao cristão uma fé confiante, em que Deus abençoará aqueles que entregam o dízimo, os libertando da lei da carteira de dinheiro, cartão de crédito ou talão de cheques, levando-os a agir, muitas vezes, como se Deus não existisse, esquecendo da maravilhosa providência divina que está à disposição dos cristãos para guiá-los e guardá-los. Sem esta confiança numa força além da humana, eles são vítimas de nervosismo e temor. O dízimo torna o cristão ciente do poder divino, acima do poder humano, que está à disposição para ajudá-lo.  

Em terceiro lugar, o dízimo constitui uma porta aberta através da qual o poder de Deus pode vir à vida. O dízimo e as ofertas causam vida alegre e abundante. Sua família reflete a validade do seu testemunho pela maneira, porque desfrutam uma alegre experiência cristã e um lar feliz. O poder de Deus, que traz vida abundante e vitoriosa vem a muitos daqueles que entregam seu dinheiro como parte da dedicação que fazem de si mesmo a Deus.     

O dinheiro do cristão é uma parte de si mesmo, de sua mente, de sua força e de sua vida. Quando traz seu dízimo está dando uma parte de si mesmo a Deus. Por tal ato, ele vem para mais perto de Deus. O dízimo não é uma compra da bondade de Deus, é um grato reconhecimento das bênçãos já recebidas. Só compreende o dízimo aquele (a) que já fez a experiência do amor e da bondade de Deus e que por gratidão, não obrigação ou fria obediência, quer dar a Deus toda a sua vida.

“O dízimo é uma entrega parcial que nos conduz a uma entrega total. Quando possuímos os bens, mas eles não nos possuem, somos livres em relação a eles e eles não têm o poder de aprisionar nosso coração, então podemos livremente entregá-los a Deus. Este é o grande milagre que o dízimo opera: tirar nosso coração das falsas riquezas e colocá-lo em Deus, nossa verdadeira riqueza” afirma o  Padre Luis Fernando da Diocese de São José dos Campos-SP. 

Por isso, o convite que Deus nos faz hoje é para uma experiência de fé e confiança, algo que precisamos sentir e vivenciar através da obediência a Deus, já que a ciência humana e a lógica matemática não conseguem explicar. Essa é a obediência de um ser que se coloca como filho e limitado perante ao Todo Poderoso Pai, que sempre sabe o que é melhor para o filho.

Se você ainda não está cadastrado como dizimista, assuma esse compromisso com o Senhor e com a Igreja, procure ao final das celebrações o balcão de atendimento da Pastoral do Dízimo ou a Secretaria Paroquial.

1) O que hoje na Paróquia é feito com o dinheiro do Dízimo?

Padre: O dízimo é a principal fonte de renda para a manutenção da paróquia, pagamento dos funcionários, manutenção da casa paroquial e da igreja, gastos com o patrimônio e Liturgia. Além de ajudas de custos quando solicitado pelas pastorais. Lembramos que a taxa da Cúria tb sai do dízimo.

2) O que hoje na Paróquia deveria ser feito com o dízimo, mas por este ser insuficiente não é possível?

Padre: A igreja precisa ser acabada e o dízimo seria uma das fontes para essa obra, claro que campanhas e festas também podem ser feitas, porém temos uma condição desfavorável pois a paróquia não tem salão, somente o prédio da igreja.

3)  O dinheiro das quermesses, pães e tudo o que tem na Paróquia é para compensar o dízimo insuficiente? Ou é estritamente para comunhão fraterna?

Padre: Sim, todas as fontes de renda que a paróquia vai obtendo é para manutenção de si mesma, o dízimo não é suficiente para cobrir todas as despesas. Ele cobre cerca de 60% dos gastos hoje. Se a comunidade abraçasse o dízimo não haveria necessidade deste tipo de campanha ou as seriam feitas para algo específico, não para a manutenção da paróquia.

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